Presidente da Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul), o deputado estadual Gerson Claro (PP) viajou para três países asiáticos com o ex-chefe da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) Jaime Verruck e o presidente da Fiems (Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul) Sérgio Longen, com convênio semelhante ao de R$ 7 milhões firmado entre a pasta e a federação neste mês.
Para defender barrar a investigação contra o novo acordo milionário entre a Semadesc e a Fiems, Gerson Claro ressaltou ‘a importância do convênio’, citando a viagem durante coletiva na quinta-feira (23), na Casa de Leis.
“Esse convênio foi fundamental para que a gente pudesse viajar no ano passado, onde nós tivemos mais de 15 dias na Ásia. Na Índia, ficamos uma semana; ficamos no Japão, três ou quatro dias; e, depois, em Singapura”, recordou o parlamentar. Naquela viagem, empresas foram convidadas a investir em Mato Grosso do Sul. Os custos da viagem não foram detalhados após o retorno da comitiva.
Para Gerson, que blindou a Fiems ao barrar um requerimento inicial que havia sido destinado à CNI (Confederação Nacional das Indústrias), a insistência dos deputados em cobrar esclarecimentos acerca de aportes feitos à federação surgiu neste ano com ‘tom eleitoreiro’.
“O que a base não quis é continuar sustentando o palanque político. Não importa a resposta, quem é contra vai falar que está errado e vai continuar fazendo isso”, justificou o presidente da Alems sobre o procedimento de cobrança de informações proposto pelo deputado estadual Pedro Kemp (PT).
No documento, o parlamentar pedia informações sobre o objetivo do aporte, a vantajosidade para o Estado e os critérios para execução da Fiems, que terá autonomia para gastar o recurso.
Viagem não cria suspeição
O presidente afirmou que o fato de o convênio implicar no custeio da participação de deputados em viagens internacionais não cria suspeição sobre a tramitação do requerimento, que foi barrado em mobilização da base governista.
“Suspeição? Se o deputado se beneficiar, tudo bem. Se for o Estado, não. Eu, por exemplo, viajei, tive a despesa paga e o benefício foi do Estado, não foi meu. Não trouxe nada, nem uma empresa pra mim, nem um negócio pra mim”, disse o parlamentar.
Gerson ainda desconversou sobre as suspeições que recaem sobre assinatura de Jaime Verruck ao convênio após ter sido exonerado da chefia da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação).
O convênio foi publicado no Diário Oficial do Estado, na sexta-feira (10), sob assinatura de Verruck datada do dia 8, uma semana após sua saída da pasta. Já nesta segunda-feira (13), o Diário Oficial fez nova publicação alegando correção de informação. A diferença entre os documentos é que agora quem assina é o adjunto que assumiu a Semadesc, Artur Henrique Leite Falcette.
“Se foi assinado e ele não era mais secretário, não tem validade o convênio. Uma autoridade pública, que não é autoridade, não pode assinar um documento”, pontuou.
Londres na sessão
Como alternativa à derrubada do requerimento de Kemp, alinhada por Claro com o líder do governo, deputado Londres Machado (PP), o presidente da Alems disse que convidaria o novo secretário da Semadesc para reunião fechada com os parlamentares na sala da presidência. Ele reafirmou que, se ocorrer, o encontro não será aberto à imprensa ou ao público geral. A manobra foi criticada pela oposição, que exige explicações da pasta de forma pública à população.
O repasse de R$ 7 milhões à Fiems ocorre em um contexto onde a entidade é investigada no MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) por contratos suspeitos de irregularidades. A federação, inclusive, teve licitação recentemente suspensa após denúncias por manobra suspeita de direcionamento para beneficiar um único fornecedor em aluguel de estrutura de eventos. O convênio milionário prevê investimentos para promover encontros empresariais.
O recurso é oriundo do Pró-Desenvolve (Fundo Estadual Pró-Desenvolvimento Econômico), criado em 2024 por Verruck. Ele extinguiu o Fadefe (Fundo Estadual de Desenvolvimento Econômico e Equilíbrio Fiscal do Estado), o qual tinha intenção de equalizar o incentivo do Estado às atividades econômicas, sobretudo no setor industrial, em que construiu carreira como diretor do Sesi e de Relações Institucionais da Fiems. Após deixar a federação, Verruck assumiu cargo no secretariado estadual e agora se prepara para ir às urnas disputar o cargo político pelo partido Republicanos.
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