Deputados estaduais comentaram reportagem do Jornal Midiamax que revelou licitação de R$ 618 mil para contratação de lanche requintado, destinado exclusivamente aos parlamentares. Eles afirmam desconhecer o processo, que prevê café da manhã ao custo médio mensal de R$ 2,1 mil por parlamentar ao longo de um ano.
O cardápio é exigente: canapés de cream cheese, croissants, mix de castanhas, entre outros itens. Até escondidinho de carne seca foi incluído na lista, item comumente associado a refeições como almoço ou jantar. A licitação ainda exige sobremesas finas, frutas exóticas e mesa farta de frios variados.
O deputado recém-empossado João César Mattogrosso, do PSDB, defendeu a contratação. Para o parlamentar, o investimento aos custos dos impostos dos contribuintes atende à demanda alimentar dos representantes eleitos.
“Acredito que essa prática não seja de hoje. A gente tem que lembrar que muitos deputados aqui não moram, ficam até tarde atendendo, não saem para almoçar e a gente precisa de uma alimentação para os nobres pares”, disse.
Já Lídio Lopes, do Avante, afirmou que a Mesa Diretora é quem deve responder pelos gastos da Casa de Leis. “A Casa sabe o que ela pode fazer, principalmente a Mesa Diretora da Assembleia, que sempre teve a atribuição de contratar. Não é uma questão do parlamentar concordar ou não concordar; é uma atribuição que a Mesa tem e que sempre houve. Desde que eu cheguei aqui, sempre houve aqui. A Mesa é que entende o que ela tem de recurso. Na Casa, desde que eu cheguei, sempre teve um café disponível aos parlamentares”, afirmou.
Pedro Kemp, do PT, disse desconhecer o processo de compra, mesmo sendo atualmente o 2º secretário na Mesa Diretora, comandada por Gerson Claro. “Eu não tenho informação desta licitação, nenhuma. Seria interessante falar com o primeiro-secretário”, disse.
Zé Teixeira, 2º vice-presidente, ocupou a cadeira em substituição a Renato Câmara (Republicanos). Após o início dos trabalhos, Pedro Kemp assumiu a cadeira como 1º secretário, com Lia Nogueira permanecendo no posto de 2ª secretária.
Dos dois projetos previstos para esta sessão, apenas um foi aprovado. Trata-se das diretrizes de incentivo à proteção e à atenção às mães atípicas, com a instituição da Semana Estadual das Mães Atípicas.
Coronel David, do PL, por sua vez, disse que ficou sabendo após colega de parlamento ver a matéria reproduzida em telão do Jornal Midiamax. “Eu desconhecia. Hoje, um deputado falou comigo que estava no painel do Midiamax. Eu aprendi na minha vida que sempre há três visões diferentes: o que a gente acha, o que outros acham e o que é verdadeiro. Eu só posso falar depois que eu tomar conhecimento. Fiquei sabendo por outro deputado, e isso não me dá liberdade de opinar”, afirmou.
A reportagem esperava ouvir outros parlamentares, mas a sessão desta quarta-feira (3) foi esvaziada e durou menos de 20 minutos. A Mesa Diretora, inclusive, foi improvisada, com João César Mattogrosso presidindo e Lia Nogueira na primeira secretaria.
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