Tendência do Estado.

Tendência do Estado.

Acompanhe as principais notícias de Mato Grosso do Sul, do Brasil e do mundo.

Entre em Contato

Embrapa impulsiona avanço dos bioinsumos e reúne especialistas para discutir novas soluções para a soja

Foto: Pixabay
.
A Embrapa está na linha de frente das pesquisas que buscam ampliar o uso de bioinsumos na agricultura brasileira. O desenvolvimento de soluções à base de microrganismos benéficos, capazes de melhorar a absorção de nutrientes, auxiliar no controle de pragas e doenças e aumentar a produtividade das lavouras de soja, será um dos principais temas da XXII Reunião da Rede de Laboratórios para Recomendação, Padronização e Difusão de Tecnologias de Inoculantes Microbianos de Interesse Agrícola (RELARE).

O evento será realizado nos dias 19 e 20 de agosto, no Centro de Eventos Sistema FIEP, em Curitiba (PR), e deve reunir aproximadamente 200 participantes, entre pesquisadores, representantes da comunidade acadêmica, órgãos de fiscalização, indústria e consultores.


Promovida pela Embrapa, em parceria com a Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (ANPiiBio) e a CropLife Brasil, a XXII RELARE terá como foco o avanço dos bioinsumos no país. A programação vai abordar o uso de microrganismos na agricultura, protocolos para análise de qualidade, validação de novos produtos, além de desafios relacionados ao mercado e à legislação.

“Pretendemos debater e compartilhar dados técnico-científicos voltados à sustentabilidade da produção agropecuária”, explica o pesquisador Marco Antonio Nogueira, da Embrapa Soja, presidente da XXII RELARE.

Embrapa desenvolve pesquisas para ampliar uso de bioinsumos
O trabalho da Embrapa tem contribuído para o desenvolvimento e a validação de tecnologias que permitem utilizar microrganismos em diferentes culturas agrícolas. Entre os exemplos mais consolidados está a Fixação Biológica do Nitrogênio, tecnologia pesquisada e difundida pela Embrapa e amplamente utilizada na produção de soja.

Os inoculantes são produtos biológicos que contêm microrganismos benéficos, como bactérias e fungos, capazes de desempenhar funções importantes para o desenvolvimento das plantas. Além da fixação de nitrogênio, as pesquisas avançam para microrganismos que auxiliam na disponibilização de outros nutrientes, como o fósforo, e para soluções voltadas ao controle biológico de pragas e doenças.

Para Nogueira, o crescimento dos bioinsumos ocorre tanto pelos benefícios ambientais quanto pela necessidade de tornar a produção agrícola mais eficiente diante do aumento dos custos dos insumos sintéticos.

“As culturas de alta demanda nutricional, como milho, trigo, arroz, cana-de-açúcar e pastagens, passaram a empregar com mais intensidade os bioinsumos como alternativa para reduzir custos, aumentar a eficiência de uso de nutrientes e melhorar a eficiência produtiva”, afirma o pesquisador.

Soja é principal exemplo
Na soja, o trabalho desenvolvido pela pesquisa agropecuária brasileira transformou o uso de bactérias fixadoras de nitrogênio em uma tecnologia amplamente adotada pelos produtores.

A tecnologia permite que as plantas obtenham o nitrogênio necessário por meio da atividade das bactérias, dispensando o uso de fertilizantes nitrogenados químicos. Atualmente, cerca de 85% da área de soja no Brasil utiliza a tecnologia a cada safra.

Mesmo em áreas onde as bactérias já estão presentes naturalmente no solo, a recomendação é realizar anualmente a inoculação. Segundo Nogueira, o uso do bioinsumo pode proporcionar ganhos médios de produtividade entre 8% e 16% na soja.

Na última safra, de acordo com levantamento da Embrapa, a substituição de fertilizantes nitrogenados por essa tecnologia gerou uma economia de aproximadamente US$ 28 bilhões ao Brasil. Ambientalmente, a tecnologia também contribuiu para evitar a emissão de quase 280 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, volume comparável à retirada de cerca de 60 milhões de carros de passeio das ruas durante um ano.

Pesquisas avançam também no milho
No milho, principalmente na segunda safra, a utilização de inoculantes para gramíneas também vem crescendo. Segundo Nogueira, já são comercializadas mais de 40 milhões de doses por ano de inoculantes destinados a essas culturas.

Embora os bioinsumos não substituam totalmente os fertilizantes nitrogenados no milho, eles podem aumentar a eficiência de aproveitamento dos nutrientes. Em determinadas condições, a utilização dos microrganismos pode permitir uma redução de até 25% na adubação nitrogenada de cobertura.

A expansão desse tipo de tecnologia é resultado de pesquisas que buscam adaptar o uso de microrganismos às necessidades de diferentes culturas, ampliando o alcance dos bioinsumos no campo.

Outro campo de pesquisa que vem avançando é o desenvolvimento de microrganismos mobilizadores de fosfato. Esses organismos ajudam as plantas a acessar formas de fósforo presentes no solo que normalmente permanecem indisponíveis.

A estratégia pode melhorar o aproveitamento do nutriente pelas culturas e contribuir para uma agricultura mais eficiente no uso de fertilizantes.

Controle biológico ganha espaço
As pesquisas com bioinsumos também avançam no controle biológico de pragas e doenças. O uso de microrganismos e outros agentes biológicos amplia as alternativas disponíveis aos agricultores e pode reduzir a dependência de produtos químicos.

“O crescimento da adoção é impulsionado não apenas pelos ganhos econômicos, mas também pelos benefícios ambientais, como a redução da dependência de insumos químicos e a menor emissão de impactos associados à sua produção”, destaca Nogueira.

RELARE reúne pesquisa, indústria e setor produtivo

Além de discutir os avanços científicos, a XXII RELARE pretende aproximar pesquisadores, empresas e diferentes setores envolvidos no desenvolvimento e na utilização dos bioinsumos.

A comissão organizadora recebe até 15 de agosto trabalhos científicos finalísticos, na forma de resumos. Os trabalhos serão apresentados em sessão de pôsteres e publicados nos anais do evento. Para participar, é necessário realizar a inscrição pelo site oficial da RELARE.

A programação também contará com uma Rodada de Negócios, destinada a pesquisadores interessados em apresentar ativos e tecnologias a representantes da indústria. Os interessados devem enviar, até 15 de agosto, um resumo simples para o pesquisador Marco Antonio Nogueira, pelo e-mail marco.nogueira@embrapa.br.

A XXII RELARE conta ainda com o apoio dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT MicroAgro) e da Fundação Araucária. A iniciativa reforça o papel da Embrapa na pesquisa, desenvolvimento e difusão de tecnologias biológicas para a agricultura, aproximando a ciência das necessidades do setor produtivo e contribuindo para o avanço de uma produção mais eficiente e sustentável.

fonte: canalrural
Compartilhe:

Mais Agronegócio

Dia de Campo apresenta estratégias para recuperar pastagens degradadas com foco na pecuária

Encontro técnico será realizado em 25 de agosto, na Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos (SP), com programação voltada à Integração Lavoura-Pecuária...

Agricultor ajusta planejamento para encarar El Niño mais forte da história

Nas lavouras brasileiras, plantio da soja tende a atrasar, o que afetaria a janela de semeadura do milho segunda safra; café e...

Produtores rurais têm até 30 de setembro para entregar declaração do ITR 2026

Cartilha do Sistema Famasul reúne informações sobre prazos, preenchimento, pagamento e principais regras da declaração O prazo para entrega da Declaração do...

Empresas ensaiam volta do seguro de renda ao produtor

Seguradoras já ofertam a modalidade em projetos-piloto no país; ideia é diversificar produtos e expandir o sistema de seguro rural Enquanto governo...