Senador primeiro desmentiu relação com Daniel Vorcaro, mas após vazamento de áudios confirmou a cobrança de recursos e tentou justificar como “patrocínio privado”
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se viu no centro de uma forte crise política após vir à tona a revelação de que ele teria cobrado milhões de reais do banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, produção que conta a trajetória política de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O episódio ganhou repercussão não apenas pelo valor envolvido, mas principalmente pela contradição do próprio senador. Antes da divulgação dos áudios e mensagens, Flávio chegou a afirmar a um repórter que qualquer ligação com Vorcaro era “mentira”, tentando afastar qualquer suspeita sobre sua proximidade com o empresário investigado.
No entanto, após os vazamentos se tornarem públicos e a pressão aumentar, a versão mudou rapidamente. Flávio passou a admitir que, de fato, procurou o banqueiro para pedir dinheiro, alegando que tudo se tratava apenas de um “patrocínio privado” para um “filme privado”, sem uso de recursos públicos.
“Foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de Lei Rouanet”, declarou o senador após a repercussão negativa.
A justificativa, porém, não eliminou o desgaste político. Pelo contrário: reforçou a percepção de que houve uma tentativa inicial de esconder a relação com Daniel Vorcaro, especialmente porque o banqueiro está no centro de investigações e seu nome já aparece ligado a apurações sensíveis no sistema financeiro.
As mensagens divulgadas mostram Flávio cobrando diretamente a liberação de recursos para o longa-metragem, tratando o assunto com urgência e demonstrando preocupação com pagamentos pendentes e compromissos da produção internacional. O valor total da operação poderia ultrapassar R$ 100 milhões, o que ampliou ainda mais a repercussão nacional.
A situação levantou críticas até entre aliados, já que o discurso de “defesa da moralidade” frequentemente usado pelo grupo bolsonarista ficou abalado diante da revelação de que o senador primeiro negou os fatos e depois foi obrigado a admitir o pedido milionário.
Para opositores, o caso escancara mais uma vez a distância entre o discurso público e a prática nos bastidores: quando confrontado, negou; quando a prova apareceu, chamou de investimento privado.
O problema deixou de ser apenas o pedido de dinheiro — e passou a ser a mentira anterior.
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