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Lula cumpre agenda em Mato Grosso do Sul, faz acenos e críticas políticas, enquanto ausência de Riedel chama atenção.

Presidente retomou obras da fábrica de fertilizantes em Três Lagoas, entregou títulos da reforma agrária e inaugurou melhorias em aeroportos; governador foi representado pelo vice e ausência repercutiu no cenário político estadual

A passagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por Mato Grosso do Sul, na última quinta-feira (25), foi marcada por anúncios de investimentos, entregas de obras e também por manifestações políticas que evidenciaram o cenário de polarização entre o governo federal e lideranças estaduais. Enquanto Lula cumpriu agenda em Três Lagoas e Ponta Porã, o governador Eduardo Riedel não participou dos eventos e foi representado pelo vice-governador, Barbosinha. A ausência foi atribuída ao comparecimento de Riedel ao velório da ex-deputada estadual Grazielle Machado.

A principal agenda ocorreu em Três Lagoas, onde Lula assinou os contratos que marcam a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), empreendimento da Petrobras que estava paralisado desde 2015. O projeto, incluído no Novo PAC, prevê investimentos superiores a R$ 5 bilhões, geração de aproximadamente oito mil empregos e redução da dependência brasileira da importação de fertilizantes.

Durante o discurso, o presidente voltou a defender a retomada do investimento público e afirmou que a paralisação da fábrica foi resultado da “irresponsabilidade de muita gente”, fazendo referência, sem citar nomes, a setores ligados ao agronegócio. A declaração foi interpretada como uma indireta à senadora Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura do governo Jair Bolsonaro, que havia defendido alternativas para a unidade durante a gestão anterior.

Outro momento que chamou atenção foi a recepção ao prefeito de Três Lagoas, Dr. Cassiano Maia. Ao cumprimentar Lula e chamá-lo de “nosso Lula”, o prefeito foi alvo de vaias de parte do público presente, evidenciando o ambiente político dividido durante a cerimônia.

Agenda em Ponta Porã

À tarde, Lula esteve em Ponta Porã, onde participou da entrega de títulos de domínio para famílias do Assentamento Itamarati, dentro do Programa Terra da Gente, além de inaugurar melhorias nos aeroportos de Ponta Porã, Campo Grande e Corumbá, executadas pelo Novo PAC.

Durante a agenda, o presidente também abordou temas internacionais ao afirmar que o Brasil não aceita interferências externas. Sem mencionar diretamente autoridades estrangeiras, declarou que “não aceita que galo de fora venha cantar no nosso terreno”, em referência às relações diplomáticas do país.

O frio intenso registrado em Mato Grosso do Sul também marcou a visita presidencial. Com a voz bastante comprometida, Lula reduziu seu discurso no último compromisso do dia e limitou-se a destacar os investimentos em infraestrutura aeroportuária e a importância das parcerias entre o poder público e a iniciativa privada.

Ausência de Riedel gera repercussão

Embora o Governo do Estado tenha sido representado oficialmente pelo vice-governador Barbosinha, a ausência de Eduardo Riedel foi um dos assuntos mais comentados nos bastidores da visita. O governador e o presidente pertencem a grupos políticos distintos e têm adotado posicionamentos diferentes em temas nacionais, o que alimentou interpretações políticas sobre o distanciamento entre as lideranças. No entanto, oficialmente, o Governo do Estado informou que Riedel não participou da agenda devido ao compromisso de comparecer ao funeral da ex-deputada Grazielle Machado.

Apesar das diferenças políticas, a agenda presidencial trouxe anúncios considerados estratégicos para Mato Grosso do Sul, especialmente a retomada da fábrica de fertilizantes, que deve fortalecer a economia regional, ampliar a geração de empregos e reduzir a dependência brasileira da importação de insumos para o agronegócio.
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