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Mercado do café mantém cenário de volatilidade em meio a desafios climáticos e estoques apertados

As cotações do café seguem em patamares elevados no mercado físico brasileiro, refletindo um cenário marcado por restrição na oferta global, desafios climáticos e incertezas econômicas. Dados da Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM) apontam que importantes praças produtoras registram valorização acumulada superior a 10% no mês de julho, como Guaxupé (MG), com alta acima de 13%, e Varginha (MG), com avanço de 10,35% até o fechamento de ultima segunda-feira (27). Em outras regiões, como Maringá (PR), Franca (SP) e Oeste da Bahia, as cotações também acumulam ganhos expressivos no período.

O comportamento dos preços é resultado da combinação de fatores que vem influenciando o mercado internacional nos últimos anos. Entre eles estão os sucessivos déficits entre produção e consumo mundial de café, a redução dos estoques globais, os impactos climáticos sobre as lavouras brasileiras e as incertezas relacionadas ao cenário econômico e geopolítico, que seguem aumentando a volatilidade das negociações.

Segundo Marcos Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o mercado ainda opera sob os reflexos de um período prolongado de oferta restrita. “Vivemos um cenário de volatilidade após quatro anos consecutivos em que o consumo mundial superou a produção, reduzindo significativamente os estoques. Mesmo com perspectivas positivas para a safra brasileira, o mercado continua bastante sensível”, relata.

Embora as estimativas indiquem uma safra recorde para o ciclo 2026/27, fatores como o atraso na colheita provocado pelas chuvas, impactos na qualidade dos grãos e o ritmo ainda moderado das exportações mantêm o mercado atento ao comportamento da oferta. Ao mesmo tempo, a expectativa de crescimento da produção mundial convive com estoques considerados apertados, tornando o ambiente mais suscetível às oscilações de preço.

Para a entidade, além das condições da safra, outros elementos continuam exercendo forte influência sobre as cotações. “Hoje convivemos com uma combinação de fatores: clima, atraso na colheita, custos de produção, questões geopolíticas e expectativas sobre a safra. É uma grande combinação de variáveis que explica a volatilidade observada no mercado”, analisa Matos.

O especialista também destaca que o cenário climático segue sendo um dos principais pontos de atenção para os próximos meses, uma vez que qualquer alteração nas condições de produção pode modificar rapidamente as expectativas do mercado. “Questões climáticas precisam ser monitoradas constantemente. Não é possível prever seus impactos com precisão, mas elas permanecem entre os principais fatores capazes de influenciar o comportamento dos preços”, considera o dirigente.

Nesse contexto, o acompanhamento diário das cotações realizado pela Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM) contribui para ampliar a transparência do mercado, oferecendo referências atualizadas para produtores, cooperativas, corretoras e demais agentes da cadeia cafeeira. Ao disponibilizar informações de diferentes regiões produtoras, a BBM fortalece a tomada de decisões comerciais e o monitoramento do mercado em um cenário marcado pela volatilidade e pela constante evolução das condições de oferta e demanda.

fonte: bolsabrasileirademercadorias

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