Segundo o ministro, a defesa do senador não apresentou comprovante de impossibilidade ao pedir adiamento
Alexandre do Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, preste esclarecimentos à Polícia Federal, na próxima terça-feira, 28, no inquérito que investiga o suposto crime de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Conforme a decisão, a defesa do senador teria apenas pedido a renovação do prazo de 10 dias para a oitiva, além da disponibilização de novas datas, com antecedência razoável, para o agendamento, mas não apresentou “qualquer comprovante da impossibilidade de agendamento no período disponibilizado”.
Diante da situação, Moraes determinou o interrogatório para às 14h de terça, “a fim de assegurar o regular prosseguimento das investigações”. O ministro também mandou intimar a defesa de Flávio e comunicar a PF sobre a data.
O caso é apurado pelas autoridades após o senador fazer uma postagem em sua conta no X, em 3 de janeiro de 2026, associando Nicolás Maduro, ex-líder da Venezuela, a Lula e atribuindo ao presidente brasileiro crimes como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
“Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas”, escreveu na publicação.
Em abril, Moraes atendeu a um pedido da PF e determinou que a corporação abrisse um inquérito contra o senador para investigar o caso. No último dia 26, a Corporação concluiu que Flávio cometeu o crime de calúnia e encaminhou o relatório para o STF.
“Fica claro, portanto, que o Senador Flávio Bolsonaro, através de sua postagem, imputou falsamente ao Presidente Lula o cometimento dos crimes de tráfico internacional de drogas, tráfico internacional de arma e lavagem de dinheiro, crimes estes expressamente tipificados em nosso ordenamento jurídico”, diz o relatório da PF.
Em seguida, o ministro abriu vistas para a PGR, que pediu para que o caso voltasse à PF para que o pré-candidato fosse ouvido. No último dia 7, Morares acolheu o pedido e deu dez dias para que o filho de Jair Bolsonaro (PL) para que as autoridades realizem a sua oitiva.
Em nota ao Terra, a assessoria de Flávio afirmou que o prazo fixado para o depoimento “foi extremamente curto e destoa do padrão historicamente observado” em investigações originárias do STF. O comunicado alega que, considerando a inexistência de risco de prescrição ou de qualquer prejuízo à investigação, a designação de nova data para a oitiva do senador em nada compromete o inquérito.
“A nova designação se justifica, ademais, pelas circunstâncias do momento: Flávio Bolsonaro cumpre extensa agenda de pré-campanha, com compromissos assumidos em todo o país e no exterior, o que recomenda a compatibilização do calendário, em benefício da própria qualidade e serenidade do ato”, finalizou.
Fonte: Portal Terra
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