A obra da ponte do Corredor Bioceânico de Capricórnio, que liga Porto Murtinho (MS) a Carmelo Peralta, no Paraguai, alcançou 80% de execução e tem previsão de conclusão para o primeiro semestre de 2026. O empreendimento é considerado estratégico para a consolidação da Rota Bioceânica, que pretende reduzir custos logísticos e o tempo de transporte de mercadorias entre o Mercosul e a Ásia.
Iniciada em 2022, a construção da ponte recebe investimento de R$ 575,5 milhões, financiados pela Itaipu Binacional, sob responsabilidade da administração paraguaia, e é executada por um consórcio binacional. A estrutura terá 1.294 metros de extensão e 21 metros de largura, além de áreas alfandegárias integradas nos dois países. O corredor conecta portos do norte do Chile, passando por Paraguai e Argentina, até o Brasil.
No lado brasileiro, o projeto inclui a construção de uma alça de acesso de 13,1 quilômetros, contorno rodoviário em Porto Murtinho e um Centro Aduaneiro, com investimento federal estimado em R$ 472 milhões. Já no Paraguai, estão previstos 3,8 quilômetros de pavimentação da rodovia PY15.
Com a expectativa de aumento do fluxo de cargas e pessoas, municípios de Mato Grosso do Sul intensificam ações para se posicionar como pontos estratégicos da rota. Porto Murtinho, Campo Grande, Jardim e Nova Andradina lideram iniciativas de infraestrutura, capacitação profissional e atração de investimentos.
Porto Murtinho aposta em obras de urbanização, melhorias em escolas e unidades de saúde, além da implantação da Orla do Rio, espaço voltado ao turismo. O prefeito Nelson Cintra projeta crescimento populacional e econômico com o início da operação do corredor.
Além das obras, os municípios investem em capacitação e integração regional. Campo Grande busca se consolidar como hub logístico, com ações como a criação do Aplicativo Rota Bioceânica e a instalação de sinalização bilíngue. Jardim aposta na localização estratégica e criou um departamento específico para tratar do tema, enquanto Nova Andradina mira a atração de empresas para seu parque industrial recém-pavimentado.
Segundo estimativas da Receita Federal, a Rota Bioceânica deverá registrar fluxo inicial de cerca de 250 caminhões por dia, com tendência de crescimento. A expectativa é de redução de até 30% nos custos logísticos e de até 15 dias no tempo de transporte de mercadorias entre países do Mercosul e os mercados asiáticos, via portos do norte do Chile.
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(Reprodução/CGNews/Toninho Ruiz)
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