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A cidade turística onde os cadáveres já não cabem no necrotério

O balneário de Acapulco, no México, enfrenta duas realidades distintas. É, ao mesmo tempo, um paraíso de sol, areia e mar, e uma violenta cidade, onde assassinatos são comuns e, a qualquer momento, é possível se deparar com uma cena de crime.

A BBC foi ao paraíso tropical atormentado pelo inferno da violenta disputa pelo tráfico de drogas. Em três dias, a reportagem encontrou três cabeças separadas dos corpos. Uma delas estava num pacote num carro, abandonado pelo motorista numa movimentada avenida.

No ano passado, cerca de 30 mil pessoas morreram por causa da violência no México. O número é 27% maior que o registrado no ano anterior.

Nos últimos 12 anos, a guerra do governo mexicano contra os traficantes resultou na prisão de líderes e na fragmentação de grandes cartéis. Mas não acabou com o problema. Agora, grupos menores lutam entre si e a violência continua não apenas em Acapulco mas em todo o país.

No chão

Luiz Flores trabalha recolhendo corpos pelas ruas de Acapulco. A maioria deles é vítima de facções que disputam território e o controle do comércio de drogas.

Uma semana antes de a BBC acompanhar o trabalho de Flores, foram tantos os assassinatos que faltou saco plástico para ele recolher os corpos. No necrotério da cidade, toda as gavetas estavam ocupadas e os corpos ficam empilhados no chão e se deterioram rapidamente.

A violência espantou os turistas estrangeiros que costumavam lotar Acapulco. O governo dos Estados Unidos, por exemplo, alerta que Acapulco é hoje tão perigosa quanto a Síria ou o Afeganistão.

E patrulhas militares protegem os turistas, a maioria deles, mexicanos que ainda se atrevem a visitar o balneário.

A reportagem também se encontrou com integrantes de um dos carteis mais poderosos do país. Localizado a mais de 1 mil km, ao norte de Acapulco, o grupo fica no Estado de Sinaloa.

Questionado pela BBC sobre a destruição causada pelo tráfico, sobre como ele afeta as comunidades e destrói vidas, o traficante defendeu o negócio dizendo que ninguém obriga alguém a se viciar.

Ele afirmou ainda que muitos políticos entendem que poderia haver benefícios se lidassem com um só cartel forte. Mas ele mesmo diz que nenhum dos candidatos na próxima eleição presidencial do México admitiria isso. Todos dizem que querem destruir os cartéis.

Fonte: G1

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