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Alta do diesel paralisa transporte e afeta seis mil indústrias em MS

A alta no diesel, que culminou com paralisação do transporte rodoviário em 17 Estados, afetou cerca de 6 mil indústrias de Mato Grosso do Sul. A estimativa é da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems), que informou que ainda não há como mensurar os prejuízos.

De acordo com o diretor de administração do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logistica de MS (Setelog), Dorival Oliveira, se a paralisação continuar, a previsão é de que em três dias comece a faltar combustível nos postos de venda , no quinto dia pode faltar medicamentos e no 15º material de limpezaa e insumos gerais.

“O transporte de cargas tem sua força e os impactos são expressivos na economia do país. Infelizmente com as altas e tarifas cada vez maiores, o setor apenas sobrevive, já que não há lucro nenhum na atividade. O diesel representa metade de toda a despesa. Sem contar que a cada aumento, que ocorre a cada 15 dias, o Estado atualiza o imposto estadual e assim vira um bolo de neve de altas”.

O bloqueio na BR-277 por caminhoneiros também afetou o fluxo de carga no porto de Paranaguá. O pátio de triagem do porto tinha baixa ocupação de caminhões no início da tarde de ontem, com cerca de 900 vagas livres, das 1.200 disponíveis.

Segundo a Appa, em torno de 1.400 caminhões de transporte de grãos estavam programados no sistema de agendamento do porto para chegar a Paranaguá até o início da tarde, e o número de veículos que estavam agendados e não deram entrada no porto foi de 1.067. A administração informou, contudo, que os terminais graneleiros estão com sua capacidade máxima de armazenamento ocupada, por isso a paralisação ainda não tem efeito sobre o carregamento de navios.

Protesto

Contra o aumento do preço do diesel, caminhoneiros se mobilizaram ontem em pelo menos 17 estados. Hoje, as refinarias registram mais uma alta nos preços, de 0,97%. Na semana passada, foram cinco reajustes diários seguidos. A escalada nos preços acontece em meio à disparada nos valores internacionais do petróleo e o aumento anunciado para hoje foi “a gota d’água” da categoria.

Em Mato Grosso do Sul, a estimativa é a de que cerca de 19 mil trabalhadores participaram do ato. Prevista para um dia apenas, o protesto chegou a interromper o trânsito de rodovias em alguns trechos do Estado. De acordo com Osni Bellinati, presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos do MS (Sindicam/MS), nenhum profissional “aguenta mais tanto aumento no preço do combustível. “Não dá para trabalhar assim. Aonde a Petrobras quer chegar? Toda semana tem aumento”, afirmou.

A Petrobras tem informado que as revisões podem não refletir para o consumidor final, pois isso depende dos postos. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, do Gás Natural e dos Biocombustíveis (ANP), o preço médio do diesel nas bombas já acumula alta de 8% no ano. O valor está acima da inflação acumulada em 2018, de 0,92%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os caminhoneiros autônomos dizem estar no limite e afirmam que uma carga tributária menor daria fôlego ao setor, já que o diesel representa 42% do custo da atividade. Os aumentos do diesel são resultado da nova política de preços da Petrobras, que repassa para os combustíveis a variação da cotação do petróleo no mercado internacional, para cima ou para baixo.

Embora o ato estava agendado para ser realizado apenas ontem, a Abcam (Associação Brasileira dos Caminhoneiros), entidade que convocou a greve, diz que os movimentos só vão parar quando o governo decidir negociar o corte de impostos para baixar o preço dos combustíveis.

Por meio de comunicado aos caminhoneiros, a entidade disse ainda que não apoia interdições ou bloqueios em rodovias e que o ato era para ocorrer “de forma pacífica e sem interrupção das rodovias brasileiras”. No entanto, em cada Estado coube aos profissionais adotar a estratégia para chamar a atenção da sociedade e do governo.

Fonte: DouradosAgora.

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