Tendência do Estado.

Tendência do Estado.

Acompanhe as principais notícias de Mato Grosso do Sul, do Brasil e do mundo.

Entre em Contato

Após super-salários virar escândalo nacional, TCE luta na justiça para não abrir “caixa preta”

A repercussão negativa em nível nacional dos supersalários pagos aos conselheiros fez o TCE (Tribunal de Contas do Estado) mudar a estratégia. Além de não cumprir as leis federais da Transparência e do Acesso à Informação, a corte decidiu brigar na Justiça para não abrir a “caixa preta” e mostrar à sociedade sul-mato-grossense o destino dos R$ 282 milhões gastos por ano.

Após a divulgação pelo O Jacaré dos salários dos sete conselheiros, que oscilaram entre R$ 102 mil e R$ 183 mil em fevereiro deste ano e se tornaram destaque nacional, o órgão dificultou ainda mais o acesso. Inicialmente, o padrão era semelhante ao adotado pelo Portal da Transparência do Governo do Estado, considerado um dos melhores do País.

No entanto, desde abril, o interessado em fiscalizar os supersalários, pagos pelo contribuinte, é obrigado a saber o número do CPF e a data de nascimento dos funcionários da corte. Neste quesito, a corte ainda ganha da Assembleia Legislativa, que não divulga o salário nominal de ninguém.

Além de não cumprir a legislação, o TCE decidiu usar todas as armas na Justiça para impedir a abertura dos dados, que deveriam ser públicos. O foco atual é anular ação de improbidade administrativa, protocolada em janeiro do ano passado, pelo promotor Marcos Alex Vera de Oliveira, que cobra o cumprimento da lei.

Só no Brasil, diante da sociedade inerte, o órgão que é responsável por fiscalizar o cumprimento da lei, não a cumpre.

Só falta exigir os nomes dos pais: corte fiscal exige que cidadão saiba CPF e data de nascimento para saber salários de conselheiros (Foto: Reprodução)

A revolta dos sete conselheiros começou com análise pela CGU (Controladoria Geral da República) do seu Portal da Transparência. Conforme relatório encaminhado pelo superintendente regional do órgão federal, Daniel Silveira, a nota foi de 4,4, numa escala de zero a dez.

O promotor pediu a avaliação porque todo ano a CGU divulga, junto com o Ministério Público Federal, a análise do cumprimento das leis da transparência e do acesso à informação pelos órgãos municipais e estaduais.

“Focando no princípio da cooperação entre órgãos públicos, da economia processual, da liberdade de produção probatória, este juízo deferiu o pedido do autor da ação para que a experiência da CGU fosse compartilhada no processo em que se questiona a transparência do Tribunal de Contas do Estado, na divulgação dos dados que a Lei de Acesso a Informação exige”, explicou o juiz David de Oliveira Gomes Filho, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos.

“Não há teratologia na decisão que solicita à CGU uma nota técnica sobre o Portal da Transparência do TCE/MS para confirmarmos que a legislação está sendo cumprida. Este magistrado até poderia ter um posicionamento diverso, se fosse a própria Controladoria Geral da União a opor alguma resistência, mas, aqui, ao contrário, a CGU foi solícita, moderna, afinada com o espírito de se desvendar a verdade e apresentou nos autos a nota técnica solicitada”, justificou-se.

“Além disto, se a colheita de provas pode acontecer mediante cooperação internacional (art. 27 do CPC), por que nãopoderia ocorrer mediante uma cooperação nacional?”, questiona o magistrado, em manifestação sobre o mandado de segurança da corte fiscal contra o parecer da CGU.

O juiz observa que o mandado de segurança não é o recurso jurídico adequado, principalmente, porque o TCE perdeu todos os prazos para questionar o andamento do processo.

Em manifestação feita no processo em abril deste ano, o promotor Marcos Alex Vera de Oliveira classifica a manobra de “chicana jurídica” e inédita no Poder Judiciário.

No entanto, o mandado de segurança andou e vem obtendo sucesso no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, que, ao contrário da corte vizinha, cumpre integralmente a Lei da Transparência. O TJMS exige a data de nascimento, mas de quem consulta, ou seja, apenas um procedimento burocrático para intimidar o cidadão.

O desembargador Julizar Barbosa Trindade acatou pedido do Tribunal de Contas e concedeu liminar, em abril deste ano, para suspender a ação por improbidade até o julgamento do mérito do mandado de segurança.

A sociedade está por um triz de ficar sem saber como e onde o TCE gasta orçamento milionário. Em 2020, conforme a proposta da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), os sete conselheiros terão quase R$ 300 milhões – R$ 297,356 milhões.

Compartilhe:

Mais Destaque

Grupo que fraudava licitações na Câmara de Água Clara é condenado por organização criminosa

A Justiça condenou por organização criminosa o grupo formado por então vereadores, empresários e servidores de Água Clara no âmbito de ação...

Prefeitura de Alcinópolis lança Refis 2026 com descontos de até 90%

A Prefeitura de Alcinópolis anunciou o lançamento do Programa de Recuperação Fiscal (Refis) 2026, uma iniciativa que oferece uma importante oportunidade para...

Não aceitamos ser tratados como moleques’, diz Lula ao criticar decisão dos EUA sobre PCC e CV

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta sexta-feira, 29, que o Brasil vai enfrentar o crime organizado por meio...

Zeca cobra apuração urgente de decreto que restringe fiscalização de vereadores em Bonito

Em sessão ordinária realizada na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), o deputado estadual Zeca do PT apresentou indicação solicitando...