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Falta de mão de obra qualificada no setor que mais cresceu no Brasil

A agropecuária foi o setor que mais cresceu em 2017 (11,9%) mesmo com a falta de trabalhadores qualificados. Esse gargalo, contudo, pode comprometer o desenvolvimento do agronegócio no médio prazo, pressionando custos, sobretudo em lavouras com uso intenso de tecnologia, como a soja.

No Mato Grosso, o maior produtor de soja do País, que neste ano deve colher 32 milhões de toneladas, existe um déficit de mão de obra especializada, conta o diretor executivo da Associação dos Produtores de Milho e Soja (Aprosoja), Wellington Andrade. “Não tenho números sobre o tamanho do déficit, mas ouço relatos de produtores sobre a dificuldade de encontrar trabalhadores qualificados.”

Ele conta que a quantidade de mão de obra qualificada formada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Mato Grosso não é suficiente para atender à demanda.

Não é por acaso que o estudo da FGV sobre o mercado de trabalho no campo aponta que a soja foi a atividade do agronegócio que melhor remunerou os trabalhadores. No ano passado, a mão de obra empregada no cultivo do grão recebeu, em média, R$ 2.610,48 por mês, uma cifra 26% maior do que a remuneração média da população ocupada em todas as atividades no País (R$ 2.078) e acima do agronegócio como um todo (R$ 1.406). Andrade, da Aprosoja-MT, e o economista Renato Conchon, da CNA, concordam que a escassez de trabalhadores qualificados tem pressionado os salários dentro da porteira.

O economista da CNA explica que a produtividade no campo considera os fatores terra, tecnologia e mão de obra. No caso da terra, há limitações na expansão de área. Na tecnologia, os ganhos de produtividade alcançados até agora podem não se repetir no futuro. É exatamente na mão de obra, segundo ele, que há espaço para crescer a produtividade. “O desempenho do agronegócio pode estar ameaçado, se não houver oferta de trabalhadores qualificados para operar máquinas e agrônomos para interpretar dados.”

Herlon Oliveira, CEO da Agrusdata, empresa especializada em projetos de lavouras digitais, vê, na prática, o gargalo de mão de obra qualificada e a valorização dos profissionais com conhecimento na interpretação de uma grande quantidade de dados, que é o coração da agricultura digital.

Há dois anos e meio implantando projetos de agricultura digital, Oliveira conta que tem 40 clientes, a maioria produtores de grãos. “Há uma corrida para agricultura digital, que ampliou a demanda por projetos e profissionais treinados.”

Ele explica que, com a agricultura digital, é possível cortar em até 9% o custo das lavouras, por conta do uso acertado dos dados na tomada de decisões. Mas a oferta de agrônomos digitais ainda é pequena.

Fonte: Agronegócio

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