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Gasolina encerra março com alta de 16%, seis vezes acima da inflação

O preço da gasolina fechou março com disparada de 16,68% em Campo Grande na comparação com o mesmo mês de 2017. A variação é seis vezes acima da inflação acumulada em um ano, de 2,49%. O cenário de encarecimento acentuado do combustível e de inflação baixa é resultante da queda de consumo e de reajustes seguidos de preços administrados pelo governo.

Dados da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) mostram que o preço médio da gasolina em Campo Grande foi de R$ 4,085 no mês passado. O valor médio, no mesmo período de 2017, era de R$ 3,501. São 58 centavos de diferença.

Considerada em centavos, a alta pode causar impressão de ser pequena. Outros comparativos ajudam a dimensionar o peso do preço da gasolina no bolso do consumidor de Campo Grande. Neste ano, são necessários R$ 204,25 para encher um tanque de 50 litros (se levada em conta o preço médio). Em março de 2017, o custa era de R$ 175,05. Com a diferença (R$ 29,2) seria possível adquirir mais oito litros com o valor de 12 meses atrás.

No mesmo intervalo, a alta geral dos preços foi de 2,49%, conforme medida pelo IPC/CG (Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande), calculado pelo Nepes (Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas e Sociais), da Uniderp. Isso significa que o aumento do preço médio da gasolina é 6,6 vezes maior que a inflação.

Gasolina cara e inflação baixa – Cálculos feitos pelo coordenador do Nepes/Uniderp, Celso Correia de Souza, neste ano, a pedido do Campo Grande News, mostraram que a gasolina impactou a inflação de 2017 em 19,25%. Esse índice considera o encarecimento do produto e seu peso no orçamento das famílias.

“É claro que, enquanto alguns itens subiram de preços, outros baixaram, fazendo que a inflação de 2017 fosse tão baixa, de 2,60%”, comentou o professor na ocasião da divulgação do impacto dos combustíveis na alta geral dos preços.

De acordo com o professor, a baixa inflação decorre, sobretudo, da queda nos preços do grupo dos alimentos, que tem grande peso no orçamento das famílias. Ele observou que o poder de consumo está menor, o que puxou a inflação geral para baixo.

“Com a crise financeira, os consumidores estão comprando menos e isso deixou os alimentos mais baratos. Ou seja, as pessoas estão deixando até mesmo de comer”, comentou.

Ainda de acordo com o professor, a inflação moderada deu margem ao governo para elevar preços de produtos administrados, como o da gasolina. Isso significa que, mesmo com a disparada nos preços desses itens, a inflação continua baixa.

Fonte: Campo Grande News

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