Preso há 4 meses no contexto da Operação Collusion, o empresário Francisco Elivaldo de Souza, o Eli Souza, dono do grupo Impacto Mais, entrou com pedido de liberdade.
Ele foi denunciado por integrar e liderar organização criminosa e pelo crime de fraude em licitação, por 4 vezes; ou seja, as penas somadas podem ultrapassar os 40 anos, caso condenado.
Nesta semana, o Ministério Público se manifestou pela manutenção da prisão do denunciado, ressaltando a gravidade dos crimes pelos quais Eli é acusado e pelo risco de ele continuar cometendo novas fraudes.
Conforme a denúncia do MP, o grupo liderado por Eli Souza pagava propina para agentes públicos para vencer licitação de comunicação em Terenos. Em um desses casos, a Prefeitura de Terenos teria comprado 500 revistas superfaturadas da Impacto Mais.
A decisão sobre o pedido de liberdade, agora, será tomada pela 3ª Câmara Criminal do TJMS.
Também tornaram-se réus com Eli:
Geraldo Alves Pereira – empresário;
Vanessa Guimarães Pereira – filha de Geraldo que administrava parte dos negócios do pai;
Cleuza Maria Seixas Guimarães – esposa de Geraldo e empresária;
Eudmar Rogers Nolasco de Faria – diretor comercial do grupo Impacto;
Antônio Henrique Ocampos Ribeiro – empresário;
Leandro de Souza Ramos – empresário;
Geraldo Alves Pereira – empresário;
Francisco das Chagas Veras do Nascimento – empresário;
Neide Rodrigues Ferreira – empresária.
Somente em relação ao denunciado Antonio Henrique Ocampos, o processo foi arquivado, a pedido do MP, após a conclusão das investigações. Assim, ele deixa de ser alvo.
Ao aceitar a denúncia oferecida pelo MP, o juiz entendeu haver indícios dos crimes apontados.
Sócio do ‘pai do ET Bilu’
Eli Sousa é sócio em diversas empresas, incluindo dois CNPJs da BDM Digital (Bdm Dourado Digital Gestão de Ativos LTDA (CNPJ 37.992.346/0001-23) e BDM Digital Administracão de Negócios LTDA (CNPJ 37.038.096/0001-97), que tem como sócio o empresário Urandir Fernandes de Oliveira, conhecido nacionalmente como o ‘pai do ET Bilu’. As duas empresas constam como ativas na Receita Federal.
Aliás, a ligação dos dois vai além: Urandir iniciou processo de aquisição do Grupo Impacto Mais, de Eli.
Francisco é sócio do empresário Urandir Fernandes de Oliveira na empresa BDM Dourado Digital Gestão de Ativos Ltda. (CNPJ 37.992.346/0001-23).
Urandir é proprietário da empresa Dakila Comunicações, que tem como sede um imóvel ao lado da casa de Francisco, no Carandá Bosque. O edifício passa por reforma.
Conforme apurado pela reportagem, a Dakila Comunicação, fundada em 2024, adquiriu o referido imóvel do grupo Impacto.
Conforme apurado pela reportagem, o processo de aquisição do grupo Impacto pelo Dakila começou em dezembro de 2024, quando Urandir abriu novo CNPJ — único sócio — com o nome Dakila Impacto Comunicação Ltda. (CNPJ 58.307.643/0001-62), aberto com capital social de R$ 700 mil.
Desde o início de 2025, o nome de Urandir Fernandes e seu novo CNPJ (Dakila Comunicação) constam no expediente da revista Impacto, sendo que o dono do Dakila aparece como presidente.
Apesar disso, nem Urandir nem o grupo Dákila estão sendo investigados.
A reportagem do Jornal Midiamax acionou novamente a assessoria jurídica e de imprensa de Dákila para esclarecer o atual vínculo societário de Urandir com Eli Souza, mas ainda não obtivemos resposta.
Apontado como o líder da organização criminosa, Eli Sousa se manifestou no processo tentando descaracterizar as acusações, alegando que a denúncia não descreve como essa suposta organização funcionaria com hierarquia, lucro auferido e divisão de tarefas.
Narrou ainda que o MP não teria conseguido provar os vínculos entre os denunciados e que há ausência de provas robustas. Então, pediu que a denúncia fosse considerada inepta, além de perícia grafotécnica em documentos apontados como fraudados.
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