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Por que frase de Lula sobre cura definitiva do câncer está errada? Entenda

Lula fala em cura definitiva, mas oncologistas destacam que prazo varia conforme o tipo de câncer

A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que alcançou a “cura definitiva” de um câncer de pele após concluir o tratamento com radioterapia reacendeu um debate comum na oncologia: em que momento é possível afirmar que um paciente está realmente curado de um câncer?

Nesta sexta-feira, 12, durante um evento em Brasília, Lula informou ter finalizado a 15ª sessão de radioterapia para tratar um carcinoma basocelular diagnosticado no couro cabeludo. O presidente celebrou o resultado do tratamento e afirmou estar feliz “pela minha cura definitiva desse câncer de pele”.

Embora o prognóstico para esse tipo de tumor seja considerado excelente, especialistas explicam que a medicina costuma adotar cautela ao utilizar a palavra “cura”, principalmente nos primeiros anos após o tratamento.

Segundo o cirurgião oncologista e mastologista Wesley Andrade, diretor do Instituto de OncoMastologia e Cirurgia Mamária Avançada, a possibilidade de cura do câncer é real e, em muitos casos, bastante elevada.

“É extremamente possível curar o câncer. As chances de cura dependem principalmente do tipo de tumor e do estágio da doença no momento do diagnóstico”, afirmou ao Terra.

De acordo com o especialista, tumores como os carcinomas basocelular e espinocelular apresentam taxas de sucesso muito altas quando tratados adequadamente. Ainda assim, o acompanhamento médico permanece necessário mesmo após o encerramento da terapia.

Na prática oncológica, muitos médicos utilizam o marco de cinco anos sem sinais da doença para considerar que o risco de retorno do câncer caiu significativamente. Esse período não representa uma regra absoluta para todos os tumores, mas funciona como uma referência amplamente adotada para avaliar o controle duradouro da doença.

“Esse número surgiu porque a maioria das recorrências dos cânceres acontece nos primeiros 5 anos após o tratamento”, apontou.

No caso do carcinoma basocelular, o cenário costuma ser mais favorável. Wesley Andrade destaca que o risco de recidiva após o tratamento adequado é geralmente muito baixo.

“O carcinoma basocelular é um dos tipos de câncer de pele com maiores taxas de cura, especialmente quando tratado adequadamente. Após o término do tratamento, o risco de recidiva costuma ser extremamente baixo, mas o acompanhamento médico permanece fundamental”, explica.

Segundo o oncologista, a principal preocupação nem sempre é o retorno do tumor original, mas o aparecimento de novos cânceres de pele ao longo da vida. Isso ocorre porque a exposição acumulada à radiação solar afeta toda a pele do corpo, aumentando o risco de novas lesões em diferentes regiões.

Por esse motivo, especialistas recomendam que pacientes que já tiveram câncer de pele mantenham acompanhamento dermatológico regular, realizem autoexames frequentes e adotem medidas permanentes de proteção contra a radiação ultravioleta.

Fonte: Portal Terra
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