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‘Topo do mundo’: Rebeca descarta medo por virar ‘grandona’ e planeja terminar faculdade de psicologia

Rebeca Andrade, ginasta Foto: Paula Reis | Sports Photographer @flamengo
Rebeca Andrade virou um fenômeno mundial. A prova disso pode ser sentida em coletiva de imprensa nesta quarta-feira, 7, na Casa Brasil, em Paris. Jornalistas de vários países se aglomeraram para ver de perto a maior atleta olímpica da história do Brasil. Ao todo, ela conquistou seis medalhas, sendo quatro na edição da capital francesa.

Com expressão de quem já demonstra cansaço pela maratona enfrentada dentro e fora dos tablados, a paulista de 25 anos encara como naturalidade o assédio e diz que a situação não assusta. Pelo contrário, ela quer virar referência e ajudar outras crianças a transformarem a vida por meio do esporte.

O Instituto Hypolito já teve mais de 2 mil procuras desde o começo da campanha da ginástica artística brasileira na França. O projeto social que revelou Rebeca em Guarulhos, na Grande São Paulo, recebeu mais de 200 consultas nos últimos cinco dias.

“Fico muito orgulhosa. O esporte mudou a minha vida e isso que quero para todos que acreditam na gente, que eles possam acreditar nos sonhos e descobrir dentro do esporte ou se descobrir em outro. O Brasil tem muitos talentos e quanto mais a gente apoiar e incentivar, melhor para gente”, analisou ao reconhecer que sabe que deixa Paris muito maior do que quando chegou.

A representatividade de Rebeca também se estende ao exemplo de poder mostrar que pessoas pretas podem ocupar posições de destaque. “Os negros sempre mostraram a sua capacidade, mas essa Olimpíada está dando mais visibilidade.”

Segundo ela, o exemplo que poderia ser o que ela quisesse veio de casa. “Eu nunca vi a minha cor como algo que iria me impedir de realizar as minhas coisas, foi me ensinado dentro de casa. Minha mãe é uma mulher branca, que criou oito filhos pretos, ela sempre se posicionou da melhor maneira possível e ensinou a gente nunca baixar a nossa cabeça. Eu sempre fui muito forte. Eu nunca passei por momentos ruins dentro do esporte relacionado a minha cor, mas meus irmãos já passaram e é muito difícil você ver alguém que você ama. Isso me fez muito forte, a minha família é minha maior referência, tem que acabar, não podemos aceitar e as pessoas não ter que ver preto no topo e é isso”, resumiu.

Mesmo após anunciar que vai deixar a disputa do solo e do individual geral, Rebeca Andrade não pretende deixar a ginástica em segundo plano. Porém, ela já avisou que a modalidade vai precisar dividir as atenções com a faculdade. Após trancar o curso de psicologia para focar na Olimpíada, a atleta afirmou que deseja se dedicar aos estudos e conquistar o diploma universitário. fonte terra

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