Tendência do Estado.

Tendência do Estado.

Acompanhe as principais notícias de Mato Grosso do Sul, do Brasil e do mundo.

Entre em Contato

Grupo investigado por morte de menina em MS tinha hierarquia baseada em atos violentos

Operação Lívia, que teve sua segunda fase deflagrada na terça-feira (15) em RS, SP, RJ, BA e DF. (Reprodução, Polícia Civil)
Grupo usava plataformas digitais para induzir e estimular práticas de automutilação, violência e, em casos extremos, o suicídio

“Quanto mais atos de violência, mais eles subiram de cargo”: assim é descrito o grupo investigado pela morte de uma adolescente de 13 anos em Naviraí, a 359 quilômetros de Campo Grande.

A adolescente foi encontrada sem vida na manhã de 22 de julho, na varanda da casa onde morava. Ela foi vítima de um grupo que utilizava plataformas digitais para induzir e estimular práticas de automutilação, violência e, em casos extremos, o suicídio.

As investigações, que culminaram em duas fases da Operação Lívia, em Mato Grosso do Sul e outros estados, já prenderam 12 pessoas, entre elas, adolescentes com idades entre 13 e 17 anos.

Durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira (17), a delegada Anne Karine Sanches Trevizan, da Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), revelou detalhes da atuação do grupo e da operação.

Segundo ela, os alvos dos mandados nas operações eram chefes das comunidades digitais, as chamadas “panelas”. Assim, o grupo tinha uma hierarquia e tudo era feito com um único objetivo: a prática de crimes.

“Comunidades chamadas panelas, abertas em plataformas digitais, que muitos podem acessar, e a finalidade delas é o ato de niilismo extremo. Violência digital dentro do ambiente digital. Quanto mais atos de violência dentro da panela, mais eles subiram de cargo, porque o intuito deles era a prática de crimes”, explicou.

Com o avanço das investigações, a polícia apurou que o grupo participou de comandos sobre como tirar a própria vida. As maiores vítimas são meninas, cooptadas para práticas violentas, principalmente a automutilação. Com isso, os integrantes sobem de nível dentro da “panela”.

No caso da adolescente de Naviraí, foram duas comunidades. “No momento da morte, duas panelas se uniram para formar uma plateia para ver a morte dela. Foram utilizados o Zang, Telegram, Discord e Instagram, sendo nesses últimos dois a transmissão. Eles ameaçavam com fotos dos pais, da mãe e, diante do desespero, ela tirou a própria vida”, explicou Anne Karine.

Outro ponto destacado pela delegada é que a vítima foi coagida a praticar o ato. “Uma adolescente foi buscando informações para levar a Lívia a ser ameaçada para praticar o fato. Ela realmente foi coagida, se mutilou e escreveu o nome deles sobre uma Bíblia”, detalhou Anne.

Delegada Anne Karine Sanches e diretor do DPE, Ivan Barreira, durante a coletiva de imprensa. (Foto: Léo de França, Jornal Midiamax)
Perfil dos adolescentes
Durante a coletiva de imprensa para detalhar a ação do grupo, a delegada da especializada explicou que os pais dos adolescentes não tinham conhecimento dos fatos, mas pontuou que os hábitos desses menores são diferentes. Além disso, os adolescentes não demonstram arrependimento.

“São adolescentes que têm hábitos diferentes. Muitos saíram da escola, trocaram o dia pela noite, quando ocorrem os crimes. São pessoas que vivem dentro dos quartos e não têm amigos físicos. Eles não demonstram arrependimento, mas sim satisfação pelos atos praticados. Existe uma necessidade pela violência”, afirmou.

O grupo realizava uma engenharia social e fazia ameaças, colocando a vítima dentro da comunidade para cometer o ato violento.

“Eles tinham organização, nada escrito, mas eles sabiam quem era dono, o subdono, quem comprava, vítimas. Aquele que trouxe o maior número de vítimas com maior violência subia o nível. Tem muita informação ligada à misoginia e ao nazismo, e os participantes da panela veem se os que pretendem entrar têm o perfil para participar das panelas”, explicou a delegada da Depca.

As investigações continuam para verificar se há outros envolvidos com o grupo. “Espero que a gente dê sequência, e continuaremos a extrair dados de materiais apreendidos para ver se tem outros participantes e vamos dar sequência para esclarecer e colocar atrás das grades”, falou o diretor do DPE (Departamento de Polícia Especializada), Ivan Barreira.

fonte: midiamax
Compartilhe:

Mais Polícia

Réu é condenado a 15 anos por matar companheiro da ex-esposa com 9 facadas

O crime aconteceu em 2020, em Campo Grande O pedreiro que matou a facadas o companheiro da ex-esposa foi condenado a 15...

Dupla encapuzada invade casa e espanca idoso durante roubo em Terenos

Vítima levou chutes e socos e pediu ajuda a uma vizinha após as agressões Um idoso de 72 anos foi feito refém...

‘Tribunal do crime’: grupo que matou Elias carbonizado vai a júri popular quatro anos depois

Crime completa quatro anos na próxima terça-feira (22) O grupo acusado de matar Elias Ribeiro carbonizado vai a júri popular em Três...

Trio que sequestrou mulheres em Campo Grande a mando de ex vai continuar preso

Crime teria sido encomendado pelo ex-companheiro de uma das vítimas Nesta quarta-feira (16), a justiça decretou prisão preventiva do trio preso suspeito...