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Grupo que lavou R$ 100 milhões para PCC e CV é alvo de operação; polícia apura elo com Al-Qaeda

Grupo que lavou R$ 100 milhões para PCC e CV é alvo de operação Foto: Divulgação/PCERJ

Operação Hawala cumpre mandados de busca e apreensão e de prisão em endereços no Rio de Janeiro, em São Paulo, Minas Gerais e Foz do Iguaçu

A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagraram uma operação nesta quarta-feira, 15, contra uma organização criminosa denunciada por lavagem de dinheiro de três facções criminosas: Terceiro Comando Puro (TCP), Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC). O grupo teria movimentado, segundo as investigações, cerca de R$100 milhões.

Durante as investigações, os agentes identificaram ainda uma possível conexão financeira internacional com um integrante de uma estrutura de financiamento da organização terrorista Al-Qaeda.

A Operação Hawala cumpre mandados de busca e apreensão e de prisão em endereços no Rio de Janeiro, em São Paulo, Minas Gerais e Foz do Iguaçu. Até o momento, 10 pessoas foram detidas. A ação conta com policiais civis da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPRJ.

Os policiais do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) cumprem também medidas cautelares de bloqueio de ativos financeiros, indisponibilidade de bens e participações societárias.

Operação Hawala cumpre mandados de busca e apreensão e de prisão em endereços no Rio de Janeiro, em São Paulo, Minas Gerais e Foz do Iguaçu
Foto: Divulgação/PCERJ

A investigação teve início a partir da atuação do TCP no complexo de favelas de São Carlos, no centro do Rio. Ao longo das diligências, os agentes descobriram que, além de lavar o dinheiro do tráfico do TCP, a organização “prestava serviço” para o CV e o PCC.

Entre 2021 e 2024, o grupo movimentou, segundo as investigações, cerca de R$ 100 milhões “por meio de dezenas de empresas de fachada distribuídas em diferentes Estados”.

“O trabalho investigativo identificou toda a engenharia empregada para ocultar a origem ilícita dos recursos. Os criminosos utilizavam empresas de fachada, transferências sucessivas entre pessoas jurídicas vinculadas, depósitos fracionados em espécie, interpostas pessoas para movimentação bancária e operações incompatíveis com a capacidade financeira declarada pelos investigados”, diz a Polícia Civil do Rio.

Empresários de origem libanesa são suspeitos
Durante as diligências, os agentes identificaram um núcleo de empresários de origem libanesa apontado como responsável por ampliar a circulação interestadual e internacional dos recursos ilícitos. Empresas registradas em São Paulo e Minas Gerais eram utilizadas para movimentar valores entre operadores financeiros, empresas de fachada e integrantes das organizações criminosas no Rio de Janeiro.

As investigações também identificaram que o grupo atuava na Tríplice Fronteira (Brasil-Paraguai-Argentina). Segundo os investigadores, as organizações arrecadam recursos por meio de práticas como lavagem de dinheiro, contrabando e tráfico de drogas, além de manterem ligações com facções criminosas brasileiras, como o PCC e o Comando Vermelho.

Vínculo com a Al-Qaeda
Os agentes também identificaram uma relação comercial entre uma empresa vinculada aos investigados e um homem sancionado pelo Office of Foreign Assets Control (OFAC), órgão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos responsável pela aplicação de sanções econômicas. De acordo com os investigadores, ele integra uma estrutura de financiamento da organização terrorista Al-Qaeda.

“Os dados coletados apontaram que uma operadora financeira administrava empresas que movimentaram mais de R$ 47 milhões no período investigado, enquanto um contador responsável pela escrituração de empresas ligadas ao núcleo financeiro da organização criminosa seria um dos principais facilitadores do esquema. Segundo as investigações, ele desempenhava papel fundamental para conferir aparência de regularidade às empresas utilizadas na lavagem de dinheiro, deixando de cumprir obrigações legais relacionadas à prevenção desse crime e à comunicação de operações suspeitas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf)”, diz.

fonte: portal terra

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