Vai a júri nesta quinta-feira (2), em Campo Grande, Clarice Silvestre pelo assassinato do chargista Marco Antônio Borges, de 54 anos, no dia 21 de novembro de 2020. A família do chargista foi até o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul para acompanhar o julgamento e disse esperar por justiça, para que Clarice pague pelo crime.
O pai do chargista, Alcino Borges, de 86 anos, contou ao Jornal Midiamax que Marco Antônio era muito amoroso, e que tinha uma ótima relação com o chargista, e que sempre almoçava com ele. Ainda segundo o idoso, a mãe de Marco acabou morrendo em abril deste ano, antes de ver o julgamento pela morte do filho.
A cunhada do chargista Darilza Borges contou que a sogra morreu de depressão, após o assassinato de Marco Antônio, “Minha sogra morreu querendo justiça. Ela sofreu muito e agora meu sogro está sozinho”. Ainda segundo Darilza, a ré tentava criar relação com a família de Marco, que não queria assumir Clarice já que ela seria só um caso dele.
No dia que ficaram sabendo da morte de Marco Antônio, a família teria ligado para Clarice perguntando sobre o assassinato, e ela teria negado.
Chargista assassinado
Na manhã de 21 de novembro de 2020, Clarice matou Marcos na casa, no Bairro São Francisco. Com a ajuda do filho João Victor, ainda destruiu e ocultou o cadáver da vítima.
O relato na denúncia é de que Marcos era cliente da massagista Clarice e mantinha um relacionamento amoroso com ela. No entanto, ele não queria assumir a relação oficialmente, o que incomodava Clarice. No dia do crime, eles combinaram uma massagem e a vítima foi até a casa da autora.
Após a massagem, Marcos foi tomar banho na parte de cima da casa de Clarice. Ao sair, os dois começaram a discutir sobre o relacionamento e Clarice empurrou a vítima da escada. Em seguida, esfaqueou o chargista, o atingindo nas costas e tórax. A denúncia aponta que Marcos permaneceu agonizando no local e Clarice colocou um lençol sobre o corpo dele.
Ela saiu para comprar sacos de lixo, já com a intenção de ocultar o cadáver da vítima e ligou para o filho. O rapaz foi até a casa da mãe e os dois cortaram o corpo de Marcos em várias partes, lavaram e colocaram em sacos e depois em malas de viagem. Mãe e filho levaram o corpo da vítima até o Jardim Tarumã, após pedirem corrida por um aplicativo.
Eles esconderam as malas, esperaram até a madrugada e atearam fogo. Clarice saiu da cidade e só foi presa em São Gabriel do Oeste. Após a prisão, ela confessou que agiu por ódio vingativo e ciúmes da vítima porque queria que o relacionamento fosse oficializado.
Clarice foi denunciada por homicídio triplamente qualificado, por meio cruel, motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima, além da destruição e ocultação de cadáver. O filho foi denunciado pela destruição e ocultação de cadáver.
‘Limpei o sangue porque tinha clientes’
Em um trecho de seu depoimento ao delegado Carlos Delano, titular da DEH (Delegacia Especializada de Homicídios), Clarice se mostra mais preocupada em limpar o sangue da vítima, que havia sujado a sua casa, do que com o crime que havia acabado de cometer. Quando o delegado questiona Clarice sobre as facadas, ela responde que deixou Marco gemendo e foi ver a parede que tinha sujado de sangue: “Espirrou sangue na minha parede, aí eu peguei e cobri ele com lençol, aí fui limpar minha parede porque tinha um cliente aquele dia”.
O delegado ainda perguntou se quando ela limpava a parede, o chargista ainda respirava, e Clarice disse que sim, mas que estava quietinho. Em outro trecho, o filho de Clarice, João Victor Silvestre de Azevedo, fala que enquanto cortava as partes do corpo do chargista, sua mãe estava limpando o carpete, o chão e as paredes onde havia espirrado sangue.
Em nenhum trecho do depoimento, a massagista se mostrou arrependida, apenas tentando afirmar que empurrou e matou Marco porque ele deu dois tapas nela. Assim, levada por um momento de fúria foi até a cozinha e com uma faca desferiu os golpes no chargista, que estava nu quando foi atacado. Fonte midiamax
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(Foto: Marcos Ermínio/Jornal Midiamax)
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