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Seminário em Boa Vista das Missões discute estresse térmico no rebanho leiteiro do RS

Imagem criada por inteligência artificial
Evento reuniu produtores e técnicos para tratar de mercado, sucessão familiar, bem-estar animal e manejo na bovinocultura de leite.

O 4º Seminário de Bovinocultura de Leite foi realizado nesta quarta-feira (28/10), em Boa Vista das Missões, no Rio Grande do Sul, com participação da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi). Entre os temas debatidos, o estresse térmico no rebanho leiteiro foi apresentado como um desafio crescente para a atividade no estado.

A médica veterinária e pesquisadora do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDPA/Seapi), Adriana Tarouco, apresentou a palestra “Estresse térmico: problema para o rebanho leiteiro do RS?”. A promoção do seminário foi do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Rio Grande do Sul (Senar-RS) e do Sistema Farsul, com apoio do Sindicato Rural de Palmeira das Missões (SRPM).

Segundo Adriana, o estresse térmico afeta diretamente fertilidade e produção de leite. Na palestra, ela afirmou que a taxa de prenhez pode cair de 40% e 60% para 10% e 20% no período quente. A perda estimada de leite, acrescentou, chega a 3,9 quilos por vaca por dia quando o Índice de Conforto Térmico (ITU) fica entre 80 e 89.

A pesquisadora também apresentou dados sobre o comportamento do risco no Rio Grande do Sul. De acordo com ela, o verão concentra a maior exposição, com média de 41% das horas em estresse leve a moderado. Nas regiões mais afetadas, como Baixo Vale do Uruguai, Vale do Uruguai e Missioneira, o ITU máximo chegou a 87,0. No outono e na primavera, o tempo em estresse aumentou de 2022 a 2024. Já no inverno, o risco de calor foi baixo nas dez regiões avaliadas em 2026, com necessidade de proteção contra o frio.

Entre as recomendações apresentadas estão sombra, ventilação e resfriamento, alimentação em horários mais frescos, oferta de água entre 50 e 60 litros por unidade animal por dia e atenção a vacas secas e novilhas. O monitoramento, segundo Adriana, deve combinar o uso de índices como o ITU com a observação do rebanho e orientação técnica.

O seminário também abordou mercado de leite, sucessão familiar e bem-estar animal. Durante a tarde, produtores acompanhados por técnicos apresentaram cases de sucesso da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar-RS, com foco em gestão, sistemas produtivos eficientes e estratégias de lucratividade no negócio do leite.

Durante o evento, os debates reuniram informações de manejo, mercado e gestão para produtores de leite das regiões do Planalto Médio e Alto e Médio do Vale do Uruguai assistidos por técnicos do Senar-RS. A programação incluiu ainda a divulgação da ferramenta BovConfort para cálculo do ITU e consulta das faixas de conforto térmico.

Fonte: agricultura.rs.gov.br
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