A relação entre a classe cultural e o poder público de Coxim chegou a um ponto de ruptura. Artistas, produtores e coletivos culturais tornaram pública uma forte manifestação de indignação, denunciando o que classificam como descaso, desrespeito e abandono por parte da gestão municipal.
O movimento ganhou força após a programação do aniversário da cidade, onde, segundo os representantes da cultura, os artistas locais foram ignorados. “Nós nos sentimos invisibilizados. Não fomos convidados nem para opinar, nem para participar da programação”, afirmou o produtor cultural Adelino Alexandre Lopes.
A exclusão não se limitou às apresentações. Instituições tradicionais, como a Liga Carnavalesca e coletivos culturais ativos no município, também ficaram de fora do desfile comemorativo, o que acendeu ainda mais a insatisfação da categoria. Em resposta, artistas realizaram um manifesto silencioso durante o evento, como forma de protesto.
O documento divulgado pela classe cultural é direto e contundente: denuncia atrasos nos pagamentos do Carnaval, falta de transparência nos editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), ausência de diálogo e até tratamento considerado desrespeitoso por parte da gestão cultural.
“Trabalhamos, entregamos, movimentamos a cultura da cidade e, muitas vezes, não recebemos no prazo ou sequer o reconhecimento mínimo. Isso não é valorização, é negligência”, aponta o texto.
Além disso, os artistas criticam a falta de prioridade para talentos locais nas programações oficiais, destacando que, mesmo contribuindo gratuitamente em diversos eventos, continuam sendo deixados à margem.
Cansados do que chamam de promessas não cumpridas e portas fechadas, os profissionais da cultura organizaram um abaixo-assinado que já ultrapassa 170 adesões, reforçando a dimensão coletiva do descontentamento.
Na tentativa de buscar diálogo institucional, representantes estiveram na Câmara Municipal, mas não conseguiram utilizar a tribuna livre devido ao não cumprimento do prazo regimental para solicitação. Uma nova data foi marcada para o dia 22 de abril, quando terão cinco minutos para expor as demandas aos vereadores.
A expectativa é que, após essa apresentação, seja viabilizada uma reunião mais ampla com o Legislativo, o Executivo e a gestão cultural do município. No entanto, o clima entre a classe artística é de cobrança e urgência.
O manifesto encerra com um recado claro ao poder público: a cultura de Coxim não aceitará mais ser ignorada. Para os artistas, não se trata de favor, mas de direito. E o que está em jogo, segundo eles, é o respeito a quem constrói diariamente a identidade cultural da cidade.
O Manifesto reúne mais de 170 assinaturas e expõe atrasos, exclusão de eventos oficiais e falta de diálogo com a classe cultural
