Embora a Câmara de Coxim viva um momento de clima quente e rearranjos internos, especialmente após a eleição antecipada da mesa diretora, o Legislativo tem buscado — ao menos na superfície — manter a ordem e dar andamento às pautas do dia. Nos bastidores, porém, o ambiente está longe de ser pacífico.
A antecipação da eleição mexeu com a base governista e gerou desconforto direto com o prefeito Edilson Magro (PP). O gesto foi lido como uma quebra de alinhamento da atual composição com o Executivo, abrindo espaço para ruídos, disputas internas e reposicionamentos entre os vereadores.
O exemplo mais explícito dessa tensão veio novamente à tona com a discussão sobre o caso das cestas básicas. O vereador William Meira (PSDB) voltou a defender que a Câmara avance na investigação, sugerindo inclusive possível prevaricação caso o requerimento não seja enviado ao Ministério Público ou não resulte na abertura de uma CPI para ampliar o processo.
A fala de Meira foi firme — e reverberou.
Em resposta, a vereadora Adriana Nabhan (MDB), em tom igualmente forte, pediu aparte e destacou que o gabinete está conduzindo os trâmites, mas afirmou que ainda não teve tempo hábil para analisar toda a documentação enviada pela Secretaria de Assistência Social. Sua intervenção, mais impositiva, deixou claro que o tema está longe de consenso e que há pressões internas sobre o ritmo e a condução do processo.
Mesmo com divergências cada vez mais expostas — algumas discretas, outras escancaradas — o plenário também mostrou que ainda existe espaço para pontos de convergência.
Os vereadores Simone Gomes (Republicanos) e Johnny Guerra Gai (PP), que hoje se encontram em espectros políticos distintos, dividiram a autoria e celebraram juntos a aprovação do Programa Municipal de Apoio Psicológico e Social às Famílias de Pessoas com TEA, um projeto pioneiro que foi aprovado de forma unânime.
A proposta, que cria uma rede de apoio emocional, psicológico e informativo para famílias de pessoas com autismo, mostrou que, apesar dos atritos, ainda é possível unir forças em pautas estruturantes e de forte impacto social.
A sessão desta segunda-feira expôs exatamente o “espírito” atual da Câmara:
um Legislativo que vive tensões internas, debates intensos e disputas políticas claras, mas que também revela momentos de maturidade quando o assunto ultrapassa rivalidades partidárias.
Resta observar se essa capacidade de diálogo prevalecerá — ou se os próximos capítulos serão marcados por um racha definitivo entre Parlamento e Executivo.
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