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Cabide de Luxo? Cointa ostenta salários que ultrapassam R$ 17 mil ao mês

(Foto: Reprodução Portal da Transparência)
Enquanto a maioria dos municípios da região norte de Mato Grosso do Sul enfrenta o desafio de equilibrar as contas públicas em 2026, uma “ilha de prosperidade” salta aos olhos nos portais de transparência: o Cointa (Consórcio Intermunicipal para o Desenvolvimento Sustentável da Bacia do Rio Taquari).

Levantamento do Edição MS revela que cargos de indicação política no consórcio, gerido pelo prefeito de Camapuã, Manoel Nery (PP), ostentam vencimentos que não apenas ignoram a realidade econômica local, mas ultrapassam os salários de secretários municipais das maiores cidades da região norte do Estado.

De acordo com dados oficiais do Portal da Transparência, a remuneração do coordenador do Cointa, Pedro Freitas de Oliveira, ex-vereador e ex-vice-prefeito de São Gabriel do Oeste, atingiu o montante bruto de R$ 17.910,58 em março de 2026.

O valor é substancialmente maior que o subsídio de um secretário municipal da Prefeitura de Coxim, polo da região norte, que hoje é de R$ 13.984,87. A disparidade é ainda mais gritante quando se analisa a complexidade das funções. Enquanto um secretário gere pastas complexas e orçamentos na linha de frente da administração, o cargo no consórcio atua em uma estrutura reduzida.

Estrutura comissionada

O coordenador não está sozinho no topo da pirâmide salarial. Pelo menos outras três funções dentro do consórcio recebem salários iguais ou superiores a R$ 10 mil mensais. Um detalhe crucial: todos esses postos são ocupados por funcionários comissionados, ou seja, cargos de livre nomeação e exoneração, sem a necessidade de concurso público.

A “Zona Cinzenta” da fiscalização

Mantido por contratos de rateio com 14 municípios da Bacia do Rio Taquari, o Cointa opera em uma espécie de vácuo fiscalizatório. Embora o dinheiro que sustenta esses salários saia diretamente dos impostos pagos pelo cidadão coxinense e de cidades vizinhas, os vereadores locais encontram barreiras para fiscalizar.

Essa lacuna de transparência já foi alvo de tentativas de mudança. Desde o primeiro mandato, o vereador de Coxim, Abilio Vaneli (PT), propõe o “Parlamento do Cointa”, com representantes das Casas de Leis de todos os municípios consorciados para monitorar os gastos. Entretanto, a sugestão nunca avançou.

Vale ressaltar também que o Cointa é comandado pelo prefeito de Camapuã, Manoel Nery (PP), tempos atrás o TCE questionou valor de licitação que possivelmente estava acima do valor comercial de mais de R$ 42 mi (quarenta e dois milhões de reais). Sem falar que o Ministério Público Estadual questiona na Justiça valor de obra de Poli Esportivo em Camapuã. fonte João de Oliveira/ edicaoms
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