Movimento Sou de Algodão chama atenção para os impactos ambientais dos tecidos sintéticos e destaca o papel das fibras naturais no consumo consciente
O movimento Julho sem Plástico costuma direcionar o debate para embalagens, sacolas e canudos, mas raramente coloca o guarda-roupa no centro da discussão. Isso ocorre apesar de grande parte das roupas produzidas atualmente ser confeccionada com poliéster e outras fibras sintéticas derivadas do petróleo — ou seja, plástico.
Aproveitando a campanha, o movimento Sou de Algodão, iniciativa da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), busca ampliar esse debate ao destacar os impactos das fibras sintéticas sobre o meio ambiente e a saúde, além de reforçar o papel das fibras naturais, especialmente o algodão, na construção de uma moda mais consciente.
Microplásticos e o impacto das fibras sintéticas
Dados da The International Union for Conservation of Nature (IUCN) indicam que aproximadamente 35% dos microplásticos liberados nos oceanos em todo o mundo têm origem na lavagem de têxteis sintéticos. Essas partículas alcançam rios, oceanos e até a cadeia alimentação.
Em contraposição ao poliéster e a outras fibras derivadas de combustíveis fósseis, o algodão é uma fibra natural, biodegradável e renovável, cultivada a partir de uma planta que também gera alimento e óleo.
No Brasil, 79% da produção de algodão segue os critérios do Algodão Brasileiro Responsável (ABR), certificação que reúne boas práticas ambientais, sociais e econômicas ao longo da cadeia produtiva.
Benefícios das fibras naturais
Além da questão ambiental, o contato direto dos tecidos com a pele também tem ganhado espaço nas discussões sobre saúde e bem-estar. Fibras naturais, como o algodão, favorecem a transpiração da pele e tendem a causar menos irritações do que tecidos sintéticos, o que amplia o interesse por peças produzidas com esse material entre públicos mais sensíveis, como bebês, crianças e pessoas com pele reativa.
Para o movimento Sou de Algodão, o Julho sem Plástico representa uma oportunidade para ampliar essa reflexão e mostrar que o consumo consciente também começa pela etiqueta da roupa. Escolher peças confeccionadas com fibras naturais, conhecer a composição têxtil antes da compra e valorizar cadeias produtivas responsáveis, como a do algodão brasileiro, são atitudes que contribuem para uma moda mais sustentável, do campo ao guarda-roupa.
O movimento também destaca que essa transformação não depende apenas do consumidor. A indústria tem papel central ao optar por matérias-primas mais sustentáveis e investir em rastreabilidade. Nesse contexto, o Sou de Algodão afirma que segue atuando junto à cadeia têxtil e da moda para ampliar o uso e o reconhecimento do Algodão Brasileiro Responsável como uma alternativa ao plástico presente em grande parte das roupas produzidas atualmente.
Ao colocar o algodão no centro das discussões sobre o Julho sem Plástico, o movimento propõe que consumidores e imprensa observem o próprio guarda-roupa sob outra perspectiva. Conhecer a composição de cada peça passa a ser também um gesto de consciência ambiental, tendo o algodão brasileiro como uma das alternativas naturais nesse processo.
Sobre o Sou de Algodão
Criado em 2016 pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o movimento Sou de Algodão tem como objetivo estimular a consciência coletiva sobre moda e consumo responsável. A iniciativa reúne profissionais da cadeia produtiva e da indústria têxtil, promovendo ações, conteúdos e parcerias com marcas e empresas para dialogar com o consumidor final.
Outro objetivo do movimento é ampliar o conhecimento sobre o Algodão Brasileiro Responsável (ABR), certificação que segue critérios ambientais, sociais e econômicos e contempla 83% de toda a produção nacional de algodão.
fonte: agrofynews
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