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Rodovia do Turismo é alvo de inquérito por desmatamento feito por empresa contratada da Agesul

Rodovia do Turismo em Bonito (Divulgação, Agesul)

Inquérito foi instaurado para investigar as obras feitas pela empresa contratada pela Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos), a Via Magna (CNPJ 21.071.247/0004-11), por suposto desmatamento irregular. O inquérito foi divulgado nesta terça-feira (12).

Conforme o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), a empresa foi autuada em setembro de 2022 pelo suposto desmatamento irregular nas margens da chamada Rodovia do Turismo, em Bonito, a 300 quilômetros de Campo Grande.

A Agesul aponta que a licença de instalação e operação foi emitida em maio de 2022, com validade de 10 anos, autorizando a supressão vegetal e o corte de árvores nativas isoladas na faixa de servidão da estrada vicinal.

Também em 2022, a Agesul pediu o arquivamento da investigação. Há ainda a alegação de que por problemas no sistema informatizado para o licenciamento ambiental no Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), o processo foi travado, impossibilitando a inserção de dados complementares.

Em setembro de 2022, o Imasul e a PMA (Polícia Militar Ambiental) autuaram a empresa responsável e aplicaram multa de R$ 50 mil. Antes disso, foi solicitada diligência na área e, se necessário, embargo da obra.

A rodovia, que antes era de chão, fica entre o Córrego São Mateus e o Rio Formoso e liga Bonito aos balneários. São R$ 47 milhões em gastos com a obra, que ainda terá a substituição da ponte sobre o Rio Formoso.

O Midiamax acionou a Agesul e a empresa contratada e aguarda retorno. A reportagem está passível de edição para acréscimo de posicionamento, uma vez que foi escrita com base em documentos oficiais e públicos.

Desmatamento irregular
Várias obras da Agesul já foram paralisadas desde 2023 por falta de licença ambiental. Em um dos casos, o Midiamax escreveu uma série de reportagens para mostrar como empreiteiro com contrato firmado com a Agência desmatou vários hectares irregularmente nas margens da estrada que pavimentava.

Ao menos 9 obras de pavimentação asfáltica da Agesul na região do Pantanal foram paralisadas em 2023 por falta de licença ambiental. Algumas já eram executadas mesmo sem a devida licença e, agora em 2024, menos da metade obteve o documento para continuidade.

Conforme resposta da Agesul à solicitação do Midiamax, são 4 obras que tiveram a liberação para execução por meio da licença ambiental. Ao todo, são mais de R$ 146 milhões em obras de pavimentação asfáltica.

As obras que já conseguiram a licença ambiental pelo Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) são:

Implantação de revestimento primário de rodovia não pavimentada, acesso ao Porto São Pedro em Corumbá. A obra é realizada pela Avance Construtora Ltda (CNPJ 17.634.508/0001-44), com custo de R$ 46.069.463,28.

Implantação de revestimento primário de rodovias não pavimentadas, na rodovia ramal de acesso ao Porto Rolon, na MS-228 em Corumbá. O trecho que obteve a licença é de responsabilidade da R R Ceni & Cia Ltda (CNPJ 07.649.405/0001-02), com valor inicial de R$ 40.164.397,19 e atualizado para R$ 45.819.555,46.

Implantação de revestimento primário de rodovias não pavimentadas, na rodovia acesso ao Porto Esperança, no município de Corumbá. Essa obra é de responsabilidade da Equipe Engenharia (CNPJ 82.595.174/0001-09), com valor de R$ 13.276.437,99, atualizado para R$ 21.234.686,13.

Implantação de revestimento primário de rodovias não pavimentadas, na rodovia MS-454, no município de Corumbá. Esse trecho também é de responsabilidade da Equipe Engenharia (CNPJ 82.595.174/0001-09), com valor inicial de R$ 28.919.523,11 e valor atualizado de R$ 33.006.720,43.

Tanto a pavimentação da MS-454 quanto o trecho da MS-228 de responsabilidade da R R Ceni já foram retomadas em agosto de 2023, conforme publicações do Diário Oficial do Estado. A MS-228 é alvo de inquérito civil do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).

Essa rodovia tem três trechos de pavimentação, de implementação de asfalto primário. Cada trecho é de responsabilidade de uma empreiteira diferente e o MPMS apura o início das obras sem a devida licença ambiental.

Obras que ainda precisam da licença
Também conforme os dados da Agesul, ainda aguardam a emissão das licenças ambientais as obras de pavimentação da MS-214, de responsabilidade da André L. dos Santos (CNPJ 08.594.032/0001-74), Galassi Empreendimentos Ltda (CNPJ 07.238.773/0001-50) e BTG Empreendimentos, Locação e Serviços Eireli (CNPJ 00.568.986/0001-09).

Em fevereiro, o Midiamax noticiou comunicado do empreiteiro Patrola, em que afirma nem ter começado as obras nessa estrada e que aguarda a Agesul emitir as licenças ambientais.

Também aguarda a licença ambiental a MS-168, que ainda estava na fase de estudo de obras de implantação e revestimento primário, no trecho sobre a ponte do Rio Taquari, em Corumbá.

Ainda os trechos da MS-228 de responsabilidade de André L. dos Santos e mais um trecho da empresa R R Ceni. Por fim, a estrada da Barranqueira, que fica em Coxim, e a estrada do Firme, que fica em Porto Murtinho.

A implantação de revestimento primário na rodovia Barranqueira é de responsabilidade da Ética Construtora Eireli (CNPJ 26.631.473/0001-80) e da Galassi Empreendimentos Ltda.

Já para a obra em Porto Murtinho foi contratada a BTG Empreendimentos Locações e Serviços Eireli. A mesma empresa ainda venceu recentemente licitação para pavimentação na cidade de Porto Murtinho. fonte midiamax

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