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Caiado afirma que ‘liderança não se herda’ após Flávio ler carta de Bolsonaro

Caiado afirmou que um candidato à Presidência 'precisa provar que decide sozinho nos momentos mais duros' Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão
Ex-governador de Goiás e também pré-candidato à Presidência ironizou mensagem lida pelo senador do PL assinada pelo ex-presidente

O pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) ironizou neste sábado, 11, a carta assinada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em apoio à candidatura do filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ao Palácio do Planalto.

“Flávio Bolsonaro, 45 anos, leu uma carta do pai ao vivo pra dizer que está pronto para ser presidente”, comentou o ex-governador de Goiás, acrescentando que “liderança não se herda, se demonstra”.

A manifestação foi publicada nas redes sociais após Flávio ler, durante uma transmissão ao vivo, a carta escrita pelo pai. No documento, Bolsonaro pede que seus apoiadores deixem “diferenças de lado” e se unam em torno da pré-candidatura do filho.

Segundo Caiado, o eleitor espera que um presidente tenha capacidade de tomar decisões por si mesmo “nos momentos mais duros.”

“O eleitor não quer um presidente que precise de aval constante de outra liderança; quer alguém capaz de conduzir o País por conta própria. Pense numa crise envolvendo Venezuela, Bolívia ou Argentina. Nesse momento, ninguém pode ter dúvida sobre quem manda, muito menos imaginar que o presidente precisa primeiro ouvir alguém antes de agir”, escreveu.

A carta, chamada de “Carta aos Brasileiros”, assim como a que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou em 2002, foi lida após uma visita do senador ao ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar depois de ser condenado por liderar a tentativa de golpe de Estado. Nela, Bolsonaro apresenta Flávio como seu porta-voz e reforça apoio à candidatura do filho.

“O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças, e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, violência e empobrecimento”, escreveu Jair Bolsonaro.

Em outro trecho, o ex-presidente diz confiar no senador para conduzir o País: “Meu pré-candidato, creio o seu também, meu porta-voz, no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e a prosperidade”.

… Porque um candidato à Presidência precisa provar que decide sozinho nos momentos mais duros. O eleitor não quer um presidente que precise de aval constante de outra liderança; quer alguém capaz de conduzir o país por conta própria.

Pense numa crise envolvendo Venezuela,…

— Ronaldo Caiado (@ronaldocaiado) July 11, 2026
A mensagem é uma tentativa de silenciar as divergências nos bastidores da legenda e forçar o alinhamento de lideranças que, receosas com o desgaste da pré-campanha, têm evitado o alinhamento público com Flávio.

No mês passado, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) divulgou um vídeo com críticas ao enteado em meio a divergências entre os dois sobre a aliança eleitoral no Ceará, deflagrando uma crise que levou à renúncia de Michelle da presidência do PL Mulher e ao afastamento de publicações nas redes sociais.

Em outra frente de conflito no bolsonarismo, o deputado federal Zé Trovão (PL-SC) disse que Bolsonaro foi “covarde” ao ter permanecido em silêncio após a derrota na eleição presidencial em 2022. Dois filhos do ex-presidente foram a público criticar a declaração nas redes sociais.

Flávio também vive desgaste envolvendo sua relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com quem negociou o recebimento de dinheiro para financiar o filme sobre a trajetória política do pai, e com aliados que se tornaram alvos da Polícia Federal.

O ex-prefeito de Belford Roxo (RJ) Márcio Canella (União), para quem Flávio pediu votos ao Senado, foi preso pela Polícia Federal com um fuzil de uso restrito. Os ex-deputados estaduais Rodrigo Bacellar (União-RJ) e TH Joias (MDB-RJ), aliados do PL no Rio, foram presos por suspeita de envolvimento com o Comando Vermelho (CV).

fonte: portal terra
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